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Descubra quem é o maior inimigo dos seus investimentos

  • Foto do escritor: Karina Scola Pescada
    Karina Scola Pescada
  • 30 de jul.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 30 de jul.


Imagine a seguinte situação...


Duas pessoas recebem exatamente a mesma notícia. As duas têm praticamente a mesma carteira de investimentos. Os mesmos objetivos. A mesma idade. O mesmo patrimônio. Os dois são comandantes de linha aérea. Mesmo assim, um decide vender tudo. A outro enxerga uma oportunidade e compra mais.


Você sabe me dizer quem tomou a melhor decisão?


Talvez a pergunta mais interessante seja outra:


Por que dois cérebros reagiram de formas tão diferentes diante da mesma informação?


Durante muito tempo, a economia tentou responder apenas a primeira pergunta. Hoje existe uma ciência tentando responder a segunda.


Ela se chama Neuroeconomia.


E, na minha opinião, ela pode mudar completamente a forma como enxergamos dinheiro, investimentos e até mesmo nossas decisões do dia a dia.


A economia sempre acreditou que éramos racionais.


Durante décadas, os modelos econômicos partiram de uma ideia bastante elegante. Quando temos informações suficientes, tomamos boas decisões. Faz sentido.


Se sabemos quanto um investimento rende, quais são seus riscos e qual é o nosso objetivo, basta escolher a melhor alternativa. Pelo menos na teoria. Na prática, basta observar o comportamento dos investidores durante uma crise para perceber que a realidade é bem diferente.


Foi aí que surgiu a Economia Comportamental.


Ela mostrou que somos influenciados por medo, excesso de confiança, efeito manada, aversão à perda e diversos outros vieses cognitivos. Mas uma nova pergunta começou a surgir. Não bastava entender que nós erramos. Era preciso entender por que erramos.

É exatamente nesse ponto que nasce a Neuroeconomia.


Você realmente decide com a razão?


Nós gostamos de acreditar que sim. Mas o cérebro funciona de outra maneira. Enquanto uma parte analisa informações e tenta planejar o futuro, outra compara experiências passadas. Outra identifica possíveis ameaças. Outra busca recompensas. Outra reage às emoções. Tudo isso acontece em poucos segundos. Muito antes de você concluir que tomou uma decisão "racional".


A Neuroeconomia mostra que nossas escolhas financeiras não são produzidas apenas pela lógica. Elas são resultado da interação entre memória, emoções, aprendizado, expectativas e experiências anteriores. Em outras palavras...


Você não investe apenas com a cabeça. Você investe com a história que existe dentro dela.


Pare um instante e reflita. Se amanhã sua carteira caísse 20%, qual seria sua primeira reação?

  • Vender tudo?

  • Esperar?

  • Comprar mais?

  • Ou simplesmente fechar o aplicativo e não olhar por alguns dias?


Não existe resposta certa. Mas existe uma resposta interessante. Sua reação provavelmente diria mais sobre o funcionamento do seu cérebro do que sobre o mercado.


O cérebro odeia incerteza.


Essa talvez seja uma das descobertas mais importantes da Neuroeconomia. Nosso cérebro foi desenvolvido para manter nossa sobrevivência. Sempre que identifica uma ameaça, ele tenta agir rapidamente. O problema é que os mercados financeiros vivem de incertezas. E o cérebro não gosta disso.


É por isso que, muitas vezes:

  • vendemos investimentos durante uma queda;

  • compramos ativos quando todos já estão comprando;

  • buscamos previsões que nos deem segurança;

  • acreditamos que "dessa vez será diferente".


Não fazemos isso por falta de inteligência. Fazemos porque somos humanos.


O mercado muda... ou é a nossa percepção que muda primeiro?


Imagine o início da pandemia onde a aviação foi muito prejudicada. Todos os dias surgiam manchetes alarmantes. As bolsas despencavam. O medo dominava as notícias.

Naquele momento, muitas pessoas venderam seus investimentos. Hoje sabemos que, para quem conseguiu manter a calma, a recuperação veio logo depois. O curioso é que, em muitos casos, o patrimônio não mudou primeiro. O que mudou foi a forma como nosso cérebro passou a interpretar aquele cenário.

O medo alterou nossa percepção de risco. E isso mudou nossas decisões.


Agora faça um teste.


Pense no último investimento que despertou seu interesse. Agora responda, com sinceridade:


Você descobriu esse investimento porque analisou profundamente seus fundamentos...

...ou porque viu alguém falando dele?


Essa pergunta parece simples. Mas ela revela algo muito importante. Hoje, nossas expectativas não são construídas apenas pelos dados. Elas também são construídas pelas pessoas. Pelas redes sociais. Pelos especialistas que acompanhamos. Pelos influenciadores que admiramos. Pelas conversas que ouvimos.


A Neuroeconomia mostra que nosso cérebro aprende observando os outros.

Talvez seja por isso que momentos de euforia e de pessimismo se espalhem tão rapidamente pelos mercados.


A Inteligência Artificial consegue analisar milhões de dados.


Mas existe algo que ela ainda não sente. Medo. Ansiedade. Euforia. Arrependimento.

A IA pode identificar padrões extraordinários. Pode processar informações numa velocidade impossível para qualquer ser humano. Mas quem continua apertando o botão de comprar ou vender somos nós. E, nesse instante, não é apenas a lógica que participa da decisão. São nossas emoções.


Talvez o futuro dos investimentos não seja escolher entre pessoas e tecnologia. Talvez seja usar a tecnologia para compreender melhor o comportamento humano.


O maior risco da sua carteira talvez não esteja onde você imagina.


Muitos investidores passam horas tentando prever a próxima decisão do Banco Central. Tentam antecipar a inflação. Os juros. O dólar. As eleições. Tudo isso é importante.Mas existe um fator que costuma receber muito menos atenção. A pessoa que toma todas essas decisões.


Você.


Talvez o maior risco da sua carteira não seja a volatilidade. Talvez seja a ansiedade. O excesso de confiança. O medo. A necessidade de agir o tempo todo. Investir talvez seja muito menos sobre encontrar o ativo perfeito.

E muito mais sobre aprender a administrar as próprias emoções.


Para refletir...

Antes de terminar este artigo, quero deixar três perguntas para você.


Qual foi a última decisão financeira que você tomou por impulso?

Que notícia mais influenciou sua forma de investir neste ano?

Se o mercado fechasse por seis meses, você continuaria confiante na sua carteira?


Não responda para mim. Responda para você. Porque talvez a resposta revele muito mais sobre seu perfil de investidor do que qualquer teste de suitability.


Conclusão


Durante muito tempo, acreditamos que investir significava entender empresas, juros, inflação e mercado. A Neuroeconomia amplia essa visão.

Ela nos lembra que, antes de existir um investidor, existe um ser humano.E seres humanos não decidem apenas com lógica. Decidem com memórias, emoções, experiências e expectativas. Por isso, acredito que a economia nunca foi apenas uma ciência dos números.


A economia é uma matéria de humanas e não de exatas. (frase forte, né?)


Os mercados continuarão mudando. As taxas de juros subirão e cairão. Novas tecnologias surgirão. Crises e oportunidades continuarão fazendo parte da nossa história. Mas existe uma pergunta que permanecerá atual:


Como você reage diante de tudo isso?


No fim, patrimônio não é construído apenas pelas oportunidades que aparecem. É construído pelas decisões que escolhemos fazer ao longo da vida.

 

 
 
 

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